Festival de Linguagem Eletrônica entra na última semana em SP

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Scope, Kristin McWharter| Estados Unidos
LOJA DAS POCS

Os paulistanos têm até o próximo domingo, dia 11, para conferir as instalações do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica). A exposição gratuita entra em sua última semana no Centro Cultural Fiesp, com um acervo de mais de 250 obras que misturam arte, tecnologia e interatividade.

Completando 20 anos, o FILE chega à 48ª edição em 2019 fazendo uma reflexão sobre toda a sua história, que sob a curadoria de Ricardo Barreto e Paula Perissinotto foi eleito no ano passado uma das maiores exposições mundiais de arte (top 20) e de arte contemporânea (top 10) pela publicação internacional The Art Newspaper.

O festival foi aberto em 26 de junho e, desde então, recebe uma média diária de mil pessoas. Neste ano, o FILE faz homenagem a dois grandes expoentes artísticos: Leonardo Da Vinci, no ano em quem se completa 500 anos da morte do artista italiano; e a escola de arte vanguardista alemã Bauhaus, que chega ao seu centenário em 2019. Ambos têm obras específicas dentro do acervo desta edição do evento. Além de games e obras que fazem uso dos mais avançados óculos de realidade virtual, o FILE traz 12 instalações, 13 trabalhos na categoria FILE Cinema Circular, 22 de Led Show, 70 de videoarte, 26 de hipersônica, 10 de web arte, 37 GIFs e 77 animações.

A instalação gigantesca “A Sense of Gravity”, do holandês Teun Vonk, permite que o visitante experimente uma nova forma de perceber a gravidade. Durante dois anos, o artista pesquisou como os corpos humanos percebem e reagem à gravidade. Ele criou uma máquina de aparência futurista e tecnológica que abriga um ambiente dinâmico e macio e convida o espectador a se submeter a uma experiência física inusitada e intimista: uma vivência perceptiva individual para quem está dentro da obra e, ao mesmo tempo, um espetáculo para quem está fora dela.

 “Scope” consiste em dois óculos e fones de ouvido de RV (realidade virtual), conectados entre si por uma escultura rígida de cerca de 180 centímetros de comprimento. Conforme os dois espectadores se movimentam no espaço físico e virtual, orientam e influenciam um ao outro com a cabeça através da estrutura que os une. A obra promove uma conjunção inovadora da força física com a realidade virtual, na qual os espectadores estão imersos em água e lutam contra a correnteza. A artista Kristin McWharter propõe, em suas obras, a interação de novas tecnologias com os espectadores.

   A instalação “Tempo: cor” será lançada mundialmente no FILE – composta por 7 relógios cromáticos, cada qual em um fuso horário, converte as horas em cores. Criação do artista brasileiro Pedro Veneroso, a obra propõe o estudo da relação do tempo com as cores. A ideia é vivenciar o tempo mais como realidade intensiva e menos como quantificação matemática, e provoca o questionamento dos códigos e das notações considerados axiomáticas.

  Inédita, a animação “Sunshowers” é inspirada no filme “Sonhos”, de Akira Kurosawa, e produzida com inteligência artificial. Todos os objetos do vídeo, tanto naturais como artificiais, são dotados de uma inteligência artificial que decide, em tempo real, as ações e caminhos no roteiro, levando a desfechos diferentes. A obra, dessa forma, explora ideia de animismo e tecno-animismo, que estão na vanguarda da animação atual.

Inovação no DNA

Em 20 anos de festival, foram realizadas 48 exposições, reunindo cerca de 6.000 artistas de mais de 85 países diferentes, com exibições de arte interativa; arte imersiva; machinimas; videoarte; animações; games; GIFs; robótica; animatrônica; inteligência artificial; LED show; e performances. Desde 2000, o festival recebeu um público de mais de um milhão de visitantes, passou por 13 cidades (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Brasília, Vitória, São Luís do Maranhão, Petrópolis, Luanda, Roterdã, Florença, Tóquio) e produziu 37 publicações bilíngues.

Neste ano, o FILE celebra os 100 anos da escola mais famosa e inovadora da história da arte, na qual artistas, designers e arquitetos atuaram no início do século 20.  A Bauhaus é romanceada em uma dança em realidade virtual, produzida pelo grupo alemão Interactive Media Foundation & Artificial Rome. A obra intitulada “Das Total Tanz Theater” (“O Teatro da Dança Total”) possui como ambiente um palco que envolve o público completamente, tornando-o parte integrante da performance. Seu conteúdo enfatiza repositórios de novos conceitos nas áreas de óptica, mecânica e acústica, e transfere os experimentos históricos do estágio Bauhaus para um ambiente virtual interativo em tempo real.

O coletivo Interactive Media Foundation assina ainda outro destaque em realidade virtual exibido na mostra. “Inside Tumucumaque” convida os visitantes a experimentarem, de perto e em tempo real, a beleza e a vulnerabilidade do ecossistema único e as habilidades extraordinárias das criaturas que vivem na área de conservação de Tumucumaque, situada no noroeste do Brasil. Ao acessar a clareira, no ambiente de realidade virtual, o visitante pode descobrir, imerso no ecossistema da floresta amazônica, os sentidos das criaturas que vivem ali: morcego-vampiro, jacaré preto, harpia, tarântula, aranha-golias-comedora-de-pássaros e sapo venenoso.

Entre as comemorações de 20 anos do FILE, a figura mais inovadora do Alto Renascimento, Leonardo da Vinci, também é exaltada em uma instalação de vídeo arte de Rino Stefano Tagliafierro, que faz uma releitura da obra “A Última Ceia”.

Em “The Last Supper Alive” (“A Última Ceia Viva”), o artista, especialista em dar movimento a personagens de pinturas de grandes mestres do Renascimento e do Simbolismo, convida para uma viagem por um dos afrescos mais fascinantes da história da arte. O projeto é um conto, carregado de emoções, em que os personagens representados ganham vida e se movem de uma maneira suave e elegante em uma atmosfera rarefeita. Os gestos são enfatizados de acordo com a sugestão de movimento que Leonardo pintou. A luz e o espaço que envolvem os personagens também são protagonistas na obra, que projeta a imaginação do espectador para dentro da pintura.

No primeiro dia do FILE (26/6), Maya Puig, uma das integrantes da equipe Fundação Interactive Media (Berlim), irá participar de uma conversa aberta ao público, às 18h30, na Sala do Educativo do Centro Cultural Fiesp. O bate-papo será seguido de visita guiada à obra. As vagas são limitadas (a sala comporta aproximadamente 30 pessoas), e reservas antecipadas poderão ser feitas no sistema Meu Sesi (www.sesisp.org.br/meu-sesi). Vagas remanescentes serão distribuídas na hora, por ordem de chegada.

Programação completa do FILE 2019: file.org.br

WORKSHOPS FILE 2019

Há dez anos, as oficinas promovidas pelo FILE reúnem educadores da ciência da computação e artistas que buscam uma imersão experimental na essência da linguagem tecnológica, a fim de difundir a tecnologia como linguagem criativa e propagar os processos de desenvolvimento artístico para o maior número de pessoas possível. Neste ano, as oficinas do FILE Workshops 2019 – todas gratuitas – serão realizadas de 26 a 29 de junho, no SESC Avenida Paulista. Para participar, é preciso se inscrever previamente on-line.

SERVIÇO

FILE – Festival Internacional De Linguagem Eletrônica

Período: de 26 de junho a 11 de agosto de 2019

Local: Centro Cultural Fiesp (avenida Paulista, 1313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô) – São Paulo, SP

Horários: terça a sábado, das 10h às 22h, e domingo, das 10h às 20h

Agendamentos de grupos e escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br

Entrada gratuita. Mais informações em centroculturalfiesp.com.br

Programaçãofile.org.br/highlight/portugues-file-workshops-2019

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA Livre

CURADORIA Paula Perissinotto e Ricardo Barreto

Realização Sesi-SP | Fiesp

 

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