Primeira mentora trans do Brasil fala sobre como lidar com a sexualidade no ambiente profissional

No ambiente corporativo, por mais que as organizações criem condições de liberdade de expressão, as pessoas quase sempre têm dúvidas da aprovação dos colegas e não a delas mesmas sobre sua orientação ou identidade sexual. Para Lorena Valocci Vieira de Camargo, mentora formada no programa da Global Mentoring Group, a sociedade contemporânea é muito desrespeitosa e violenta com as pessoas da comunidade LGBTQIA+, o que acaba influenciando a intensificação desse medo.

Trabalhando atualmente com dez mentorados, Lorena revela saber de casos de pessoas em cargos altos em empresas que são homossexuais, e o medo de perder todas as oportunidades do mundo corporativo expondo quem realmente são, acaba fazendo-as vestir uma máscara para tentar esconder. “A consequência da aceitação depende de cada pessoa e do que ela espera com isso, por exemplo, se ela decide acabar com o tabu da sua sexualidade e se aceitar porque quer ficar livre do medo e viver em paz acima de tudo, ela pode sim ser feliz e trabalhar com mais produtividade, porque vai estar livre daquela pressão psicológica que o medo muitas vezes traz”, pondera.

Entretanto, a mentora ressalta que se a pessoa coloca as expectativas dela em outra, buscando a aprovação, o caminho para a frustração é mais direto, porque a sociedade ainda tem problemas com essa aceitação. “Ou seja, se o medo de perder oportunidades, da rejeição e do julgamento têm maior peso que a vontade genuína dela de ser feliz, a aceitação da sua condição vai ser mais difícil e a facilidade de se autorrejeitar vai ser ainda mais forte”, alerta.

Para Lorena, a mentoria é um trabalho complementar à terapia. “As pessoas buscam curar suas dores. Os mentorados que atendo e não se adaptaram à terapia me falaram que sentiam falta de compreensão por parte do interlocutor, como se ele não entendesse o que estava acontecendo. Pelo fato de ser trans e já ter essa experiência sentida de maneira profunda na minha vida, como a rejeição interna, busca pela aceitação e a superação, me permito chegar mais perto dessa dor, justamente porque eu a vivi. O que o mentee busca é o olhar de alguém que já passou por essa situação, de quem não vai julgar, receber o conforto de quem já passou por essa experiência, porque acende a esperança de que também se pode superar e o mais importante: ‘de que eu não estou só’”, descreve.

Preconceito

Na opinião de Lorena, a falta de oportunidades e preconceito atrapalham o acesso das pessoas trans ao mercado de trabalho. “As empresas temem que a imagem delas seja manchada ou prejudicada por ter profissionais trans ou travestis, e até julgam essas pessoas incapazes por conta da condição sexual. A ‘fuga’ dessa discriminação é migrar para o mercado da moda e estético, pois é comum ver profissionais LGBTQIA+ que fazem parte desse segmento porque, por já ter uma boa quantidade de pessoas da comunidade, é ‘mais fácil’ não sofrer a pressão da discriminação”, lamenta a mentora.

Segundo a especialista, o fato de ser trans ajuda no trabalho de mentoria, principalmente pela experiência e a vivência dos conflitos. “Eu criei coragem de seguir com meu sonho de trabalhar com pessoas na metade de 2018 enquanto fazia o curso Técnico em Recursos Humanos, quando abandonei o medo da discriminação e embarquei na área de Humanas. Essa coragem fez toda a diferença, porque muitas oportunidades vieram a mim depois disso”, relata.

Uma dessas oportunidades foi o programa de formação da Global Mentoring Group, no qual Lorena declara que encontrou sentido para o trabalho que faz. “Minha missão é ajudar as pessoas a se aceitarem, se amarem e confiarem em si mesmas, e consigo fazer isso com a mentoria e meus mentees têm tido incríveis resultados com isso”, comemora.

Lorena ainda destaca que seu trabalho é focado em inteligência emocional, enfrentando desafios como o autoconhecimento e o equilíbrio emocional — que engloba também as questões da sexualidade —, a busca pelo propósito de vida e a elevação da autoestima. “Elevar a inteligência emocional dos meus mentorados ao nível pleno é o meu maior objetivo, pois foi assim que eu saí de uma depressão e hoje consigo ajudar pessoas a alcançarem a superação”, finaliza.

Sobre Global Mentoring Group

O programa de mentoring, da GMG, é baseado nos grandes centros mundiais de estudo e desenvolvimento como MIT, Stanford, Harvard e nos processos de aceleração de startups do Vale do Silício, consiste numa orientação estruturada em que um profissional mais experiente (mentor) orienta um menos experiente (mentee ou mentorado).  É um processo de transmissão de conhecimento, que tem como objetivo provocar insights no mentee e é utilizado tanto para estimular alguém em início de carreira, quanto quem precisa se destacar no cargo em que ocupa, um colaborador que acabou de ingressar em uma corporação, ou um profissional sênior que esteja enfrentando, ou vai enfrentar, novos desafios na empresa ou fora dela.

Para saber mais, acesse https://globalmentoringgroup.com/ ou pelo @claudiombrito ou @globalmentoringgroup

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