Coletivo Acuenda apresenta quatro performances que abordam, de modos distintos, as vivências LGBTQIA+

Um show, um espetáculo teatral, um mini-documentário e uma performance-documentário que registra o processo de criação de uma obra a ser estreada no próximo ano: essa é a programação criada pelo Coletivo Acuenda entre 23 de setembro e 2 de outubro. As exibições gratuitas acontecem pelo Youtube, em canais de diferentes instituições (veja abaixo). O Coletivo Acuenda trabalha com a temática LGBTQIA+ no bairro Jardim Romano, no extremo leste da cidade de São Paulo, há sete anos, e está realizando sua mostra com apoio do Proac 01/2020 de apoio à produção e temporada de espetáculos inéditos de teatro no Estado de São Paulo.

foto
Reprodução

O documentário Brilho e Batom: Uma Vivência Editada tem Anderson Mauricio na direção de processo cênico, Cassandra Mello na direção audiovisual e Felipe Barbosa Gonçalves na Dramaturgia. O processo registra os seis dias em uma casa onde os atores do Coletivo ficaram isolados devido a covid-19, vivenciando a dramaturgia e também através de dispositivos surgiram as cenas de encontro com a realidade de cada um. Esse trabalho irá resultar no espetáculo Brilho e Batom, que conta a história de três drag queens que encontram e acolhem em sua casa Matheus, um jovem gay expulso de casa pela mãe religiosa apenas por chegar em casa com um pouco de maquiagem. “Esse trabalho é um recorte da experiência que foi pensar em cena em tempos de pandemia, o que foi a vivência de quatro artistas nessa casa, ensaiando a peça”, conta David Costa, integrante do Coletivo Acuenda.

O Cabaret D’Água é a primeira ação cultural criada pelo Coletivo Acuenda, desenvolvida desde junho de 2014. É um show com mais de 100 apresentações na qual predomina a linguagem drag junto com dança, música, teatro e performance, além de enquetes, discussões e entrevistas sobre os temas propostos a cada edição. Com o apoio do edital atual, foi criada uma edição especial, o Cabaret D’água Perifa Queens, feita no formato digital, gravada totalmente no bairro Jardim Romano, usando o cenário natural, composto pelas ruas, becos, estação de trem e o rio, além da participação de alguns moradores do bairro nas gravações. “A ideia surgiu do desejo de mostrar o nosso bairro para outras pessoas conhecerem, e saberem que além de um bairro invisibilizado e marginalizado, existe uma veia artística pulsante, que trabalha cada dia mais para que a diversidade, pluralidade e cultura estejam presentes na vida dos moradores do Jardim Romano”, diz Bruno Fuziwara, integrante do coletivo.

Já a peça PERIFERIDA aborda temáticas sensíveis ao mundo LGBTQIA+ por meio de duas narrativas paralelas. Pedro é um menino gay, que na adolescência se torna a drag queen Pipa. Samantha é uma menina trans, que ao nascer é registrada como Claudinei, mas se enxerga no gênero feminimo. Neste trabalho, os protagonistas moram e habitam a periferia de São Paulo. Pedro é a típica criança afeminada que sofre preconceito das outras crianças. Mesmo tentando se integrar às brincadeiras comuns do local onde mora – como empinar pipa – ele é atacado pelos colegas. Crescer como um menino gay na periferia é, por vezes, não entender a própria condição. Na adolescência, sua grande descoberta é o mundo drag. Já Samantha é filha de pais evangélicos e conservadores. Seu nascimento, como Claudinei, enche a família de esperanças e de sonhos para o garoto. Na adolescência, quando se afirma uma mulher trans, entra em conflito com os familiares.

“O espetáculo pretende lidar com as temáticas de orientação sexual, identidade de gênero e, sobretudo, esclarecer as diferenças entre eles. No momento em que contamos a história de uma drag e de uma travesti , já falamos que as duas não são a mesma coisa”, adianta David.

PERIFERIDA tem dramaturgia do coletivo e da dramaturga Ramilla Souza, potiguar como o diretor Juão Nyn, multiartista com atuações profissionais na música, no cinema, na performance e no teatro. Na construção da peça, uma das bases de pesquisa foram histórias de vida dos integrantes do coletivo, além da travesti Agatha de Oliveira, que participou da criação e da primeira temporada do espetáculo.

No dia 24 de setembro também está marcada a exibição do mini-documentário Desacuendando o Acuenda, um dia de apresentação de drag queens visto sob o olhar de crianças, o que fomenta a reflexão sobre o que é essa prática para os pequenos.

SERVIÇO

Brilho e Batom – Uma Vivência Editada – Duração: 45 minutos Recomendação: Livre
Desacuendando o Acuenda – Duração: 15 min Recomendação: Livre
PERIFERIDA Duração: 15 min Recomendação: Livre
Cabaret D´Agua Perifa Queens Duração: 33 min Recomendação: Livre

Centro Cultural São Paulo
Onde: Youtube Centro Cultural São Paulo
23 de setembro, quinta-feira, 21h
Brilho e Batom

24 de setembro, sexta-feira, 21h
Brilho e Batom + Desacuendando o Acuenda

25 de setembro, sábado, 21h
Brilho e Batom + Cabaret D’água Perifa Queens

26 de setembro, domingo, 21h
Brilho e Batom + PERIFERIDA

Teatro Flávio Império
Onde: Youtube Flávio Império
27 de setembro, segunda-feira, às 19h e às 21h
Brilho e Batom

Teatro de Contêiner Mungunzá
Onde: YT Teatro de Contêiner Mungunzá
28 de setembro, terça-feira, às 19h e às 21h
Brilho e Batom

Cooperativa de Artistas
Onde: YT Cooperativa de Artistas
29 de setembro, quarta-feira, às 19h e às 21h
Brilho e Batom

Centro Cultural Penha
Onde: YT Centro Cultural da Penha
30 de setembro, quinta-feira, às 19h e às 21h
Brilho e Batom

Zózima Trupe
Onde: YT da Zozima Trupe
1º de outubro, sexta-feira, às 19h e às 21h
Brilho e Batom

Coletivo Acuenda
Onde: YT Coletivo Acuenda
2 de outubro, sábado, às 19h e às 21h
Brilho e Batom

 

One thought on “Coletivo Acuenda apresenta quatro performances que abordam, de modos distintos, as vivências LGBTQIA+

Deixe uma resposta