Concurso focado na comunidade LGBTQIA+ “Arte na Rua” divulga resultado dos artistas finalistas

Na contramão da paisagem acinzentada das grandes cidades, a arte de rua surge como potência e resistência. Gravuras, imagens, letras e mensagens de luta tiram as pessoas do estado comum e fazem com que elas sejam absorvidas pela arte. Ao longo do mês de setembro, o concurso cultural “Arte na Rua” selecionou nove artistas que fazem parte da comunidade LGBTQIA+ para concorrerem a pintar murais ou uma empena em São Paulo. A ideia é que o concurso dê visibilidade aos novos talentos do grafite brasileiro!

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Reprodução

As inscrições foram realizadas por meio do site do projeto (www.concursoartenarua.com.br). Em uma primeira fase, criações originais foram enviadas e avaliadas pelas curadoras Penelopy Jean e Panmela Castro, que levaram em consideração critérios como: diversidade e representatividade, originalidade, criatividade e técnica.

Andy Alvez (@andyalvez), Ant Maria (@antmaria), Bred (@brednatella), Guideki (@guideki), INDJA (@indja_4), Irmãos Credo (@irmaoscredo), Maíra Pereira Makimaya (@kiymai), Nina Satie (@ninasatie) e Wanatta (@wanatta_streetart) são os finalistas desta edição.

Os 9 finalistas seguem para votação popular pelo site do projeto, a partir do dia 18 de outubro. O resultado será divulgado no dia 01 de novembro. O vencedor do concurso irá pintar uma empena e os demais finalistas irão pintar murais em diversos locais da cidade.

O concurso se propõe a transformar e trazer todo o orgulho e representatividade que fazem parte da trajetória desses artistas, usando a cidade como suporte artístico. Esse é um projeto realizado pela Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo por meio do Programa de Ação Cultural – ProAC ICMS e patrocinado pelo C6 Bank, banco digital que apoia a causa da diversidade.

Sobre os finalistas:

Andy Alvez (@andyalvez) – A trajetória do artista Andy Alvez é muito ligada ao lugar onde nasceu e cresceu, a cidade de Pedro II, sertão do Piauí, um lugar com muitos sítios arqueológicos e uma cultura muito ligada ao artesanato. Andy cursou a graduação em Artes na UFPI, fazendo até metade, quando decidiu seguir seu caminho como um artista independente em São Paulo, lugar em que se conheceu mais profundamente como artista, estudou, captou referências e desenvolveu sua própria linguagem. O artista considera que seu trabalho se consolidou em cima dessa sinergia entre o sertão e a metrópole.

Ant Maria (@antmaria) – A artista Maria Luiza Queiroga, que atua pelo nome Ant Maria, sempre esteve no mundo das artes por meio do desenho, mas seu primeiro contato com a lata na rua foi com 22 anos. Ela começou suas criações utilizando a técnica do stencil, e em pouco tempo passou a tirar seus desenhos do papel para as paredes usando rolinhos e pincéis. Atua nas áreas de direção de arte e design gráfico desde 2009, além de sua produção no grafite.

Bred (@brednatella) – O artista começou sua trilha na arte em 2017 expondo em pequenos eventos noturnos pelo centro da cidade de São Paulo. Em seu trabalho ele busca dar ênfase para a negritude, sexualidade e para a intimidade, além dos dilemas simbólicos envolvidos nas múltiplas formas de dar sentido enquanto “existência”.

Guideki (@guideki) – Para o artista mineiro Guilherme Batista, trabalhar com desenho e com a arte como um todo sempre foi um sonho e cursar a faculdade de Design Gráfico, voltado para a área de comunicação, foi muito importante para sua trajetória como artista. Foi a partir desse desejo que Guideki se juntou a outros três amigos e criou o Estúdio Farândola, que até hoje atende demandas criativas e artísticas em Uberlândia e região. Guideki acredita que seu trabalho deve ser plural e popular, livre de regras, cheia de cores e despretensiosa.

INDJA (@indja_4) – A artista Indja, nome artístico de Gabriel Silva, é indígena das etnias kariri e Paicus, não binária e LGBTQIA+. O seu processo de descolonização histórica se reflete na sua arte que tem como principal objetivo visibilizar seus ancestrais e sua história. Graduada no curso de licenciatura em Artes Visuais a Universidade Regional do Cariri (URCA), a artista atua em diferente projetos atualmente, explorando as suas diferentes formas de arte: Raiz, com pintura de murais, CORPOEMDESOVA, com performances, Parente, com pinturas de costituição Familiar Indígenas, é atuante no Centro de Artes – @quebradaculturalt, constituinte de arte no grupo de performances LGBTQIA+ @vand4las e diretora visual do “Grupo de Teatro Cínicas”.

Irmãos Credo (@irmaoscredo) – A dupla Irmãos Credo é formada pelos irmãos Isadora e Jesus Credo. Começaram na arte desde muito cedo, a cultura popular do interior de Goiás, as festas religiosas e seus ritos sempre estiveram presentes no meio de ambos.

Os Irmãos Credo colocam sua arte entre o sagrado e o profano, imersos na cultura popular das famílias mais humildes do interior de Goiás, buscando contar uma história e protagonizar o povo preto, fazenndo parte do movimento afrotuturista brasileiro.

Maíra Pereira Makimaya (@kiymai) – Natural de Ubatuba, São Paulo, Maíra se mudou para Pelotas, no Rio Grande do Sul, quando fez sua graduação em Artes Visuais pela Universidade Federal de Pelotas. Desde o início do curso, a artista faz parte de projetos e pesquisas direcionadas ao mundo artístico como um todo, adentrando nesse universo também academicamente.

Quanto ao seu trabalho, os principais temas abordados são questões de identidade, carne, palavra, materialidade e a mestiçagem de linguagem, refletindo sua realidade como uma brasileira amarela, descendente de japoneses.

Nina Satie (@ninasatie) – É artista multimídia e trabalha as expressões da auto-imagem e autoficção, em sua poética visual. Através de seus trabalhos busca reivindicar suas percepções de identidade como expressões múltiplas, através da interconexão das representações imagéticas do próprio “self”, permeado por suas mitologias pessoais circundadas pelos vetores de raça, gênero, tempo, espaço e sexualidade.

Wanatta (@wanatta_streetart) – Grafiteira e artista visual, imprime questões étnico-raciais e a representatividade feminina em seu trabalho artístico. Ela faz do grafite uma ferramenta de afirmação da identidade negra e periférica, mesclando técnicas que usam pastel seco, pastel oleoso e tinta spray sobre tela. Suas criações podem ser vistas nos muros de BH, principal forma que Wanatta Rodrigues usa para nos presentear com seu olhar sensível.

Serviços:

Site: www.concursoartenarua.com.br

Instagram: @concurso.artenarua

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