O drama “Transe”, com estreia em 17 de junho no Youtube, é um experimento cênico sobre os valores e freios morais que guiam nossos comportamentos e desejos

Quem é você? Você sabe? Ninguém consegue viver em sociedade sem representar. A criação de personas se faz necessária para que o indivíduo se adapte ao mundo e consiga manter relacionamentos saudáveis. O problema é quando sua essência começa a se perder no caminho e você já não sabe mais quem é o seu “verdadeiro eu”. Com roteiro de Pedro Henrique Lopes e direção de Diego Morais, o experimento cênico “Transe”, que estreia dia 17 de junho, põe em cena esses conflitos de personalidade a partir da história de um garoto que cria um personagem de si mesmo ao entrar na prostituição. O roteiro é baseado em relatos reais de garotos de programa e suas experiências na criação de múltiplos personagens para exercer a profissão. É possível sair ileso quando você deixa de ser você?

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Disponível para ser assistido no horário em que o espectador preferir, entre 17 de junho e 18 de julho de 2021, “Transe” tem ingressos gratuitos com retirada pelo Sympla (https://www.sympla.com.br/transe__1226473). O projeto tem patrocínio do Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro e Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir Blanc.

“Transe” é um drama que acompanha o embate entre João (Pedro Henrique Lopes), um jovem inseguro com sua aparência e receoso de seus desejos libertinos, e Nicolas (Oscar Fabião), um “michê” extravagante e cheio de luxúria. Junto com o dinheiro rápido da prostituição começam a vir os remédios psiquiátricos para reverter os danos da vida de excessos de Nicolas. As crises, as vozes, as alucinações e o fato de não se reconhecer afetam o modo de pensar, sentir e agir de João. Numa espécie de transe, eles mergulham um no outro para tentar encontrar sua verdadeira essência. A partir da história, a obra discute tabus que envolvem a sexualidade humana e a saúde mental.

“Quis criar uma trama de embate entre duas personalidades, sem cair no óbvio do conflito maniqueísta entre o anjinho e o diabinho. Colocamos em oposição momentos diferentes da carreira do protagonista, como o começo cheio de pudores, quando ele tinha medo de dar vazão aos desejos, até uma fase mais libertina e liberta. E questionamos o quanto as nossas inseguranças nos impedem de viver como queremos”, analisa o autor e ator Pedro Henrique Lopes”. “O Nicolas é um jovem sem pudores, instintivo, que se joga e não tem medo de consequências. O maior desafio foi ter que me despir das censuras e dos pudores porque o personagem não tem essa trava. Ele não deixa de fazer algo por receio do que os outros vão pensar, o que acaba acontecendo a todos nós em algum momento”, acrescenta o ator Oscar Fabião.

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O curta-metragem foi filmado em uma única locação: um apartamento em Santa Teresa. Com os desafios impostos pela pandemia e a consequente pesquisa sobre novas linguagens artísticas, “Transe” se propõe a investigar as possibilidades da união entre o teatro e a tela, na utilização de diferentes enquadramentos, projeções e o jogo cênico entre dois atores.

“O Transe foi um projeto idealizado para o teatro. Quando a gente se deparou com a necessidade de explorar a linguagem do audiovisual, buscamos as interseções possíveis entre as duas artes. A ideia era contar a história através da câmera, mas sem perder a atmosfera de teatralidade e, para isso, a gente usou alguns recursos do palco, como jogos de luz, imagens projetadas sobre o corpo dos atores e movimentos específicos. A câmera acompanha todos como se fosse uma terceira personalidade, alguém de fora invadindo o apartamento do Nicolas. É um filme, mas não se aproxima do cinema no aspecto realista”, descreve o diretor Diego Morais.

Serviço:

Transe

Temporada: de 17 de junho a 18 de julho

Dias e horários: Disponível 24h por dia

Ingressos: gratuitos, com retirada pelo Sympla

(https://www.sympla.com.br/transe__1226473)

Tempo de duração: 30 minutos

Classificação etária: 18 anos

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