Diretor Ale Monteiro comenta representatividade gay na nova versão de Cinderela

A nova versão de Cinderela, estrelada pela cantora e ex-integrante do grupo Fifth Harmony Camila Cabello, estreou no streaming Amazon Prime Video na última sexta (03). O longa apresenta o antigo enredo da princesa de uma forma mais moderna, contando com a adaptação de diversos personagens.

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Uma das principais mudanças é a Fada Madrinha, interpretada por Billy Porter. Se antes ela era aquela velhinha simpática e um tanto boba e atrapalhada, neste filme, ela é Fab G, um homem negro e gay. Famoso pelo papel de Pray Tell na série Pose (2018), que garantiu a ele um Emmy ao tratar da epidemia de Aids na cena ballroom dos anos 80, o ator já está acostumado a desafiar padrões de gênero dentro e fora de cena.

Gay assumido, ele chama a atenção nos vários tapetes vermelhos de premiações das quais participa. Nessas ocasiões, costuma usar roupas que misturam artigos vistos como femininos e masculinos, transcendendo as regras de como cada pessoa deve se vestir. Destaque para o Oscar de 2019, por onde desfilou em um smoking preto que, ao chegar à cintura, se transformava em um vestido elegante e volumoso.

O diretor artístico Ale Monteiro destaca a importância de trazer um homossexual como fada madrinha nesta versão mais recente de Cinderela.

“Apesar de ainda não termos um conto de fadas totalmente gay, confesso que enxerguei como um grande avanço. Sim, é bastante estereotipado, mas muito bem representado pelo ator. É importante que esses espaços sejam abertos em filmes infanto-juvenis para mostrar que existimos e que merecemos ser representados”, afirma ele, que enxerga que a representatividade na cultura promove mais inclusão na sociedade.

“É essencial para a diversidade. Eu cresci sem me sentir representado, achava que estava errado, e que não pertencia a nenhum grupo ou lugar. O conto de fadas é um molde do ideal de todos; portanto, precisa ser repensado e trazer um elenco mais diverso, contando com pessoas não-brancas e LGBTQIA+, para continuar sendo mágico”, aponta.

Ale acredita que a normalização da homoafetividade, inclusive, é algo necessário para a educação de crianças – principal público-alvo do longa.

“Sempre me perguntam se conviver ou ver um casal homoafetivo pode influenciar uma criança. E, obviamente, isso não é verdade. Ser gay não é uma escolha ou apenas uma prática sexual, tampouco uma doença ou desvio. É uma questão de identidade, de se ver e se sentir dessa forma. Acredito que o conceito de família vem mudando ao longo dos anos. O modelo patriarcal, onde o homem hétero é o responsável pelo lar, foi ultrapassado à medida que a mulher se emancipou”, avalia.

“Hoje, da mesma forma polêmica como repercutiu a quebra do padrão anterior, saem às ruas as “famílias modernas”, formadas apenas pela mãe, pelo pai, tia, tio, avô, avó, ou por duas mães e dois pais. Se para muitos adultos é difícil aceitar, para as crianças não é assim tão complicado. As crianças conseguem conviver melhor do que um adulto, com conceitos já definidos, as diferenças existentes. Orientá-las desde cedo sobre as diversidades sexuais pode formar uma sociedade com adultos mais tolerantes e menos preconceituosos”, acrescenta.

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